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MUSICAS DO BUMBA MEU BOI DO MARANHAO BAIXAR


músicas do CD. Bumba meu boi de Morros Baixar; Bumba meu boi de Morros Baixar; Bumba meu boi de Morros Baixar; Bumba. As 10 Melhores Músicas de Bumba-Meu-Boi Aqui vai uma lista com as mais clássicas toadas de Bumba-Meu-Boi do Maranhão 1º - Bela. Com traços semelhante aos dos autos medievais, a brincadeira do Bumba-Meu- Boi existe em outras regiões do País, mas só no Maranhão tem três estilos, três.

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BUMBA DO MARANHAO DO BAIXAR BOI MEU MUSICAS

O teatro encenado pelo povo maranhense também é chamado de matança do boi. Eu gosto de valorizar a essência do choro. Parabéns pelo post, ficou dez. Cavaquinho me acompanha mais, pelo fato de estar tocando samba todo o tempo, mas o bandolim também é importante, me abriu muitas portas. O sentido da obrigao para com as entidades espirituais do Tambor de Mina vivenciado com respeito e a f e a devoo a So Joo, santo a quem dedicada a brincadeira, professada de forma descontrada, numa alegre associao de festa e religio. Ana Carolina Miranda. Foi o primeiro. Pra mim é isso, ele consegue passar aquela beleza. Cultura Popular.

As 10 Melhores Músicas de Bumba-Meu-Boi Aqui vai uma lista com as mais clássicas toadas de Bumba-Meu-Boi do Maranhão 1º - Bela. Com traços semelhante aos dos autos medievais, a brincadeira do Bumba-Meu- Boi existe em outras regiões do País, mas só no Maranhão tem três estilos, três. Por meio da gravação de cds com toadas de Bumba-meu-boi da região de Cururupu, simbolo da cultura do povo do litoral ocidental maranhense, a população tem a sobre a história dos sotaques, personagens, músicas, compositores da Memória Cururupuense está disponível para download no link. Venha ouvir Bela Mocidade, Axixá Minha Terra, No Mês de Maio e muitas outras músicas!. São Luís querida. Me responda por que foi. Que escolheste para o teu debute. Arraial de Bumba Boi O visual da francesa. Não é aquele mais. Dos antigos.

Os Bois de carnaval utilizam instrumentos de percusso e podem reproduzir toadas intercaladas com marchas carnavalescas.

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Saem pelas ruas da cidade nos trs dias de Momo, com indumentria caracterstica dessa festa, sem qualquer relao com os santos juninos. Dois documentos atestam a presena dos Bumbas no perodo momesco. Um requerimento, datado de 1 de fevereiro de , solicitava ao Chefe de Polcia licena para um Bumba-meu-boi da Rua do Gavio realizar ensaios at o ltimo dia do carnaval. Uma segunda solicitao encaminhada ao Chefe de Polcia do Maranho no final do ms de janeiro de tratava da concesso de licena para fazer dansar pelas ruas desta cidade durante os dias de carnaval a brincadeira Bumba-meu-boi e promettendo, como nos annos anteriores, guardar a melhor ordem possvel, de maneira a evitar qualquer barulho por menos que seja Os Bois de vero so uma forma encontrada pelos brincantes de prolongar um pouco mais a brincadeira.

Acontecem nos meses de setembro, outubro e novembro, de forma similar aos Bois juninos, considerando a sonoridade, os instrumentos, as personagens e a indumentria. As apresentaes so precedidas de ensaios e so realizadas em espaos destinados para esse fim. Como nos Bois feitos no perodo junino, h batismo e morte do boi.

So, em sua maioria, organizados para pagamento de promessa. Os estudos clssicos sobre folclore no Brasil desenvolvidos at a primeira metade do sculo XX por Mrio de Andrade, Silvio Romero, Luiz da Cmara Cascudo e Arthur Ramos j destacavam o Bumba-meu-boi como manifestao expressiva da cultura brasileira, ressaltando a renovao temtica responsvel pelo seu vigor e permanncia, seu carter de revista, sua consagrao como um poderoso elemento unanimizador dos indivduos como metfora da nacionalidade e sua definio como teatro popular nacional.

No sem motivo que esses autores ressaltam a importncia do Bumba-meu-boi para a cultura nacional. As manifestaes culturais populares que tm o boi como figura principal esto presentes em vrios estados brasileiros, mas no Maranho que a brincadeira do Bumba-meu-boi ganha evidncia pela sua fora simblica, sua resistncia ao tempo e sua capacidade de reinventar-se a cada ano sem perder sua essncia.

Ao longo de, pelo menos, dois sculos, o Bumba passou por vrias fases. De vtima de preconceito no sculo XIX, por ser considerado brincadeira de arruaceiros, essa expresso cultural desfruta, atualmente, de grande prestgio junto sociedade maranhense.

A trajetria do Bumbameu-boi, a despeito da obrigao de solicitar autorizao policial para sair s ruas at os anos 60 e da ameaa de seu desaparecimento, na dcada de 70 do sculo passado, exemplar, se considerarmos que a brincadeira se manteve viva graas ao seu poder de reelaborao a partir dos elementos dados pelo contexto em que est inserida.

Nesse sentido, o Bumba desenvolveu uma estratgia de sobrevivncia peculiar, resistindo s crticas e ataques da imprensa do sculo XIX, satirizando seus opressores e ridicularizando seus adversrios em seus autos e nas letras de suas toadas e, mais recentemente, utilizando-se das polticas pblicas para a cultura popular maranhense e desfrutando da estrutura econmica do poder pblico para auferir renda para sua.

Por outro lado, pode-se afirmar que o carter de revista de que fala Mrio de Andrade , no Bumba-meu-boi, a transformao de elementos da realidade em alimento para a brincadeira, reatualizando-a anualmente e mantendo-a viva. As toadas, autos, comdias e performances so modos do Bumba-meu-boi comunicar sua verso dos acontecimentos da atualidade. Dessa forma, so temas recorrentes nas toadas fatos polticos em evidncia, medidas da poltica econmica, ecologia e questes sociais.

Essa comunicao fator fundamental para a preservao do Bumba. Na dcada de 80, no auge da crise econmica brasileira, a inflao despertou ateno dos compositores de toadas de Bumba-meu-boi e, mais recentemente, a Copa do Mundo foi, tambm, tema de toada.

Boi Bumbá - Brasileiritmos Leograf

A inflao em nosso pas Cada dia que passa est nos sufocando Este problema dos mais srios E isto no sabemos at quando Mas vamos todos cuidar, em nossa agricultura o ponto bsico de toda nao Vamos deixar automvel de lado E vamos fabricar mais caminho Isto sim que nos interessa Para escoar a nossa produo. Trata-se, nesse caso, de um recurso que promove a interlocuo com a sociedade, seja atravs das cenas dos autos e comdias; seja nas letras das toadas cantadas em versos rimados.

A constante recriao do Bumba-meu-boi tem como principal elemento o fato de se constituir numa revista de seu tempo na qual os temas so abordados em letras de rara beleza, rimadas com elegncia e apresentadas nos arraiais e outros espaos pblicos como parte de um produto: o complexo cultural do Bumba-meu-boi do Maranho. No Maranho, o Bumba-meu-boi uma referncia cultural presente em todo o Estado, com variaes regionais.

Um levantamento realizado pela Superintendncia do Instituto do Patrimnio Histrico e Artstico Nacional o Maranho identificou grupos de Bumba-meu-boi em 70 dos municpios maranhenses. Apesar de no refletir a realidade global do Estado, os dados obtidos demonstram a importncia dessa expresso cultural e a intensidade com que vivida pelos maranhenses.

Assim, variedade de estilos foge categorizao feita por pesquisadores do Bumba-meuboi do Maranho que convencionou uma diviso dos grupos em cinco sotaques: Ilha, Guimares, Baixada, Cururupu e orquestra.

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Embora a classificao em sotaques seja til para o direcionamento de estudos e pesquisas e para a execuo de aes dos poderes pbicos estadual e municipal no campo da cultura popular relativas ao Bumba-meu-boi, uma incurso pelos municpios do Maranho demonstra que ela no abarca a diversidade dessa manifestao cultural popular maranhense.

Nas diversas regies do Estado encontram-se formas distintas de expresso do Bumba-meu-boi, respondendo s necessidades inerentes a cada local com a utilizao de recursos disponveis nos seus respectivos municpios, dando diferentes configuraes a uma mesma brincadeira.

Na Baixada Ocidental Maranhense, ao ritmo de grandes tambores denominados de marcaes, o Bumba-meu-boi ganha uma sonoridade distinta daquela que caracteriza os grupos do sotaque da Baixada sediados na Capital.

INSTRUMENTOS

Na regio dos Cocais, no Leste do Estado, os grupos utilizam bombos octavados; no Baixo Parnaba, usam palmas de madeira e bzios; no Mdio Mearim h grupos que se auto-classificam como do sotaque de zabumba, mas que em nada lembram os grupos desse sotaque radicados em So Lus. Ali os maracs so substitudos por cujubas e as zabumbas, feitas de tonis cobertos de couro, so tocadas com uma baqueta.

Os exemplos so mltiplos e servem para reafirmar a capacidade de reinveno do Bumbameu-boi no s no tempo como uma estratgia de sobrevivncia, mas tambm no espao sociocultural onde se insere valendo-se dos recursos que lhes so dados. Eu brinco Boi por promessa. Enquanto eu puder Uma promessa que eu fiz.

Em Eu tenho um problema nesse p. A eu vi um mdico dizer pra minha irm que eu no ia ficar bom. E eu disse pra So Joo: se eu ficasse bom, brincava Boi enquanto eu pudesse. Isso que me leva At falei que no gosto de falar essa coisa, fico meio Mas tem que falar, n? O mdico: eu ia morrer. Digo: rapaz, no. So Joo no deixa eu morrer. Ento com isso eu tenho essa f. So Joo pra mim tudo.

Se eu no tiver dinheiro, ele me d amanh, se eu tiver meio doente eu no vou quase em mdico, So Joo me cura No Bumba-meu-boi do Maranho o ldico e o religioso esto profundamente associados. Como uma grande celebrao do ciclo da vida, o Bumba-meu-boi sintetiza, em seus rituais, um universo mstico-religioso possuidor de uma multiplicidade de significados, sendo a crena e a devoo a So Joo o centro desse universo para o qual convergem outras prticas mgico-religiosas portadoras de um amplo repertrio simblico.

O boi dado ao santo como pagamento de promessa, mas pode tambm ser devotado a entidades espirituais cultuadas em terreiros de Tambor de Mina11 na Capital e no interior do Estado, obedecendo a determinaes e desejos de encantados12, em cumprimento a obrigaes devidas pelos pais e filhos de santo a essas entidades espirituais. Nesses locais, os grupos realizam visitas de cova em cemitrios, fazendo saudao e homenagens aos mortos, resgatando uma relao com a morte h muito tempo perdida pelo homem dos centros urbanos.

Entidades espirituais encantadas recebidas em terreiros de Tambor de Mina no Maranho, tambm denominadas invisveis. Podem ser classificadas como gentis, gentilheiros, caboclos, ndios e selvagens e meninas. Esse complexo arranjo que vincula sentimentos religiosos enraizados a gozos e excessos mundanos apresenta o Bumba-meu-boi como uma prtica onde o ldico pode ser vivenciado, tambm, a partir da formao de grupos modestos, cujo elemento gerador - o boi-brinquedo, pode ser feito de cofo13, de pano, de paneiro ou de palha, ou seja, improvisado com a exclusiva inteno de proporcionar ocasies de entretenimento e diverso, uma oportunidade de promover a confraternizao e o lazer, encontrar parentes, amigos e vizinhos, danar, cantar, comer, beber e se divertir.

O batismo do boi o nascimento, quando o boi-artefato ganha vida e sai da casa para animar os boieiros14 e simpatizantes da brincadeira durante o perodo junino. Os padrinhos, diante do altar e com a imagem de So Joo, um copo de gua benta, um ramo de vassourinha15 e vela acesa nas mos, sacralizam o animal. A partir desse momento, sob as bnos de So Joo, o grupo est imune a toda sorte de infortnios.

A sada do altar do santo para a rua, aps o batismo, corresponde ao despertar de um longo perodo de encantamento em que o boi-artefato se encontrava, sob proteo do santo.

Cofo, tramas e segredos. So Lus: Comisso Maranhense de Folclore, O cofo recebe variadas denominaes, conforme o tipo e a utilizao: balaio, urupi, de linha, paracafu, de segredo, ladro, quatro olhos, de alqueire. Pode ser feito de palha da palmeira de babau, anaj, caran, ariri, pupunha, carnaba e tucum.

Para se apresentar em pblico, o boi luxuosamente preparado. Se nas demais manifestaes da brincadeira do boi no Brasil o boi-boneco se apresenta de forma simples, coberto de pano pintado ou estampado, no Maranho coberto de veludo bordado com dedicao - o couro do boi. Com miangas, canutilhos e lantejoulas, o couro apresenta e representa o universo simblico do Bumba. Lindos desenhos multicoloridos, de uma riqueza que s pode ser mensurada pela devoo ao santo protetor da brincadeira, retratam temas diversos como a religiosidade catlica e de matriz africana dos maranhenses e homenagens a personalidades da vida poltica e cultural locais, dentre outros temas.

Aps o perodo das brincadas em que So Joo permite aos seus fiis desfrutarem das alegrias que o boi pode lhes proporcionar nas noites juninas, uma grande festa celebra o ritual da morte do boi, encerrando o ciclo festivo para a tristeza dos boieiros, brincantes e simpatizantes da brincadeira. Esse rito marca a volta do boi para a casa por ordem de So Joo, que, pedindo o sacrifcio do animal, resgata-o para junto de si, conforme evidenciam as toadas do ritual de morte do boi.

No Bumba-meu-boi do Maranho, o sacrifcio do boi e a distribuio da carne e do sangue, no ritual da morte, ganham significado especial. O sacrifcio oferecido a So Joo, que pede seu boi de volta. Quando h o repartimento, a carne do boi sacralizado pelo batismo e consagrado pela imolao , muitas vezes, utilizada no preparo de chs com poderes teraputicos. O ritual de morte do Bumba-meu-boi maranhense remete s idias de Arthur Ramos sobre o totemismo do boi, o repasto totmico e a identificao daqueles que participam do ritual com o animaltotem pela sua absoro.

A carne pode ser os pedaos da madeira da qual a carcaa do boi feita ou a palha que serve de recheio da carcaa do boi. O comer e beber em commum [sic] exprimia um symbolo [sic] do dever da communidade [sic] com relao ao seu deus.

Tambm o que acontece no repasto totemico [sic] em que o animal-totem morto e chorado em meio a uma grande festa. Estas lamentaes so ditadas por um temor de castigo e para subtrahir [sic] o clan a toda responsabilidade do crime commetido, [sic] o que foi observado por Robertson Smith, independente da psychanalyse [sic]. O luto seguido de uma grande alegria festiva, em que todos os excessos so permitidos: que os membros do clan, depois de comerem o animal-totem, reforam a sua identidade com o mesmo.

RAMOS, O sangue oferecido a todos aqueles que participam da cerimnia, numa comunho com o grupo e com o santo, celebrando o ciclo vital. Para alm da comunho, representa a aliana com o grupo e com todo o sistema mstico-religioso que o envolve,. No dia 29 de junho, os grupos de Bumba-meu-boi sadam So Pedro em sua Capela, em So Lus, tocando, cantando e danando em frente ao andor do santo. Nessa ocasio, muitos brincantes recebem encantados no interior daquele templo religioso. H aqueles que, penitencialmente, sobem, de joelhos, os 47 degraus que do acesso Capela, debaixo da carcaa do boi que, ao ser retirada diante do andor, deixa mostra as guias18 atravessadas no peito, revelando o vnculo do brincante com as divindades africanas e com o mundo da encantaria.

Cordo, tambm conhecido por rosrio, feito de contas cujas cores identificam a entidade protetora do pai ou filho-de-santo. Voduns do Tambor de Mina Jeje. Encantado da famlia do vodum cambinda Lgua Bogi Bu da Trindade. Mas a relao do Bumba com o sistema religioso afro-brasileiro no se restringe participao de encantados nos grupos durante o perodo de brincada.

A toada do Bumba-meu-boi do Bairro de Ftima traz tona um complexo processo de associao que estabelece ligaes entre os santos catlicos e as divindades africanas.

O boi de So Joo. Contudo, , tambm, oferecido para Xang, orix Nag que equivale a Bad Quevioss, vodum que abre todos os terreiros de Tambor de Mina no Maranho, cuja festa de obrigao, na Casa das Minas Jeje, realizada no dia de So Pedro, santo de adorao daquele vodum. Ferretti, Talvez esse dado explique o transe dos brincantes de Bumba-meu-boi em frente ao andor do santo, no dia 29 de junho. Fundado no trip arte-festa-religio, o Bumba-meu-boi, pelo seu carter plural, , paradoxalmente, a sntese de elementos da identidade maranhense, de seu ethos, de sua viso de mundo.

Todo esse conjunto resulta num produto que revela a alma desse povo. O sentido da obrigao para com as entidades espirituais do Tambor de Mina vivenciado com respeito e a f e a devoo a So Joo, santo a quem dedicada a brincadeira, professada de forma descontrada, numa alegre associao de festa e religio. O Bumba-meu-boi se faz presente no meio social maranhense como um componente estrutural de coeso, reafirmando constantemente os elementos da identidade cultural desse povo.

Laos de solidariedade so estabelecidos entre aqueles que fazem o Bumba-meu-boi acontecer: pela f nos santos juninos; pelo compartilhamento de um mesmo espao sociocultural; pelo tempo que ficam juntos e pela cumplicidade no desempenho das tarefas de preparao do boi; pela dedicao ao grupo; e pelo compromisso assumido na produo da brincadeira, criando um sentimento de pertena intragrupal. Internamente, grande nmero de pessoas est envolvido na produo do Bumba-meu-boi, da realizao dos treinos que precedem os primeiros ensaios e confeco e reparos de indumentrias e instrumentos, at a morte do boi.

Em contrapartida, aqueles que no participam diretamente da brincadeira tambm experimentam um pertencimento aos grupos por um sentimento coletivo de ligao com os estilos de Bumba-meu-boi e, dentro destes, com grupos especficos, como se pertencessem a um mesmo cl. Dessa forma, externamente, os batalhes so reforados pelo apoio dos simpatizantes, que assumem.

Nesse aspecto, os bois do sotaque da Ilha se destacam pelo antagonismo entre os batalhes, evidenciado pelos seus brincantes e simpatizantes, cuja devoo quase religiosa ao grupo de predileo se reflete no nmero de boieiros, sempre varivel, que cada boi de matraca pode levar para os arraiais e demais locais onde brinca. Assim, o nmero de matraqueiros de um Boi da Ilha ser sempre proporcional ao nmero de simpatizantes com ou sem ligao formal com o grupo, motivados pela identidade que cria vnculos recprocos estabelecidos com o Bumba.

Deve-se ressaltar que a brincadeira registra, desde o Sculo XIX, manifestaes de violncia que, freqentemente, resultavam em contendas generalizadas. Atualmente, percebe-se uma agressividade latente externada nos versos das chamadas toadas de pique, tpicas dos Bois de matraca, trocadas por brincantes de grupos rivais, nas quais so transmitidas mensagens subliminares ou explcitas de provocao e desafio num campo em que a arena de luta simblica entre os contrrios21 a msica e a literatura e as armas so o poder criativo e a capacidade de formular belas toadas, como uma forma de extravasar mpetos violentos, ainda que sublimados.

Pelo conflito, os grupos fortalecem o seu esprito de corpo e reforam sua identidade. A identidade entre os que fazem o Bumba-meu-boi e aqueles que se sentem parte dele, ainda que na condio de meros espectadores, cria um universo singular no qual o Bumba se configura como uma manifestao cultural popular de uma fora expressiva presente no s no cotidiano de quem vive no Maranho, mas que ultrapassa os limites do Estado, inspirando a criao de grupos por maranhenses radicados em So Paulo, Rio de Janeiro e Braslia, que reinventaram o Bumba-meu-boi a partir das referncias culturais levadas de sua terra natal.

Atravs da brincadeira, os grupos criam laos de solidariedade numa terra estranha e revivem, a cada brincada, sua cultura, sntese de sua viso de mundo, expressa numa mistura de lazer, compromisso, festas, ritos, performances, crenas e devoo. Essa integrao de dentro do grupo e deste para fora de si , muitas vezes, explicitada pelos prprios grupos, reforando interna e externamente os vnculos do Boi com os micro e macro universos que lhes do sustentao.

Integrados nesse patrimnio cultural que o Bumba-meu-boi, diversos componentes colocam em evidncia a cultura popular maranhense no que se refere religiosidade popular catlica; religiosidade afro-maranhense; dana, com os passos cadenciados e ritmados dos brincantes; ao teatro popular, com os autos e comdias; inventividade dos brincantes, com os grupos que promovem uma releitura do Bumba-meu-boi tradicional; e msica, na voz melodiosa dos amos ou cantadores e no dom dos compositores populares, cujo talento se traduz em belas toadas.

O decreto 3. O Bumba-meu-boi do Maranho tem demonstrado, ao longo de dois sculos, sua capacidade para permanecer vivo, atravs de um processo contnuo de reelaborao, cuja matria-prima tem sido um saber prprio, alicerado num conjunto de elementos que envolve um sistema de crenas, onde se associam mitos, lendas, universo mstico-religioso catlico e onrico e religiosidade afromaranhense.

Assim, o Bumba-meu-boi, identificado pelos maranhenses como a mais rica manifestao da cultura popular do Estado, apresenta uma diversidade que rene vrias formas de expresso artstica e se mostra como um bem cultural portador de um conhecimento tradicional constantemente reelaborado que reflete, em suas mais variadas formas de acontecer, no s a alma dos maranhenses, mas tambm dos brasileiros, pela alegria e devoo com que vivenciado durante todo o ciclo da brincadeira.

De manifestao cultural de negros e mulatos oprimidos pelas elites do sculo XIX a manifestao emblemtica da cultura popular maranhense, o Bumba-meu-boi traz em seu percurso o retrato da histria social, poltica e econmica brasileira.

Foi marcado pelo preconceito dos anos oitocentos, que restringia o espao onde poderia brincar; pela obrigao de pedir licena polcia para sair s ruas at os anos 60; e pela mudana de papel consolidada na dcada de 80, quando comea a se inserir num mercado de bens culturais que tenta transformar o Bumba em mercadoria para ser consumida, preferencialmente, por turistas, o que j motivou crtica do Bumba-meu-boi a ele prprio conforme toada abaixo.

A crtica do amo do Boi Unidos Venceremos insero do Bumba no mercado de bens culturais deixa explcito que a afirmao identitria atravs da identificao com a brincadeira do Bumbameu-boi marcada por contestaes simblicas, de modo que essa incluso no deve ser vista como absoluta, no sentido de uma aderncia.

Mesmo sem questionamento formal do ponto de vista poltico, h resistncia aos elementos tpicos do mercado que opem tradio a dinheiro. O Brasil um pas multicultural caracterizado por um conjunto de identidades resultantes de sua formao scio-cultural e o Bumba-meu-boi maranhense, pelo seu carter plural, um retrato da identidade brasileira. A riqueza e a dimenso dessa manifestao evidenciadora da forma de ver e viver a cultura popular pelos maranhenses avaliza a valorizao do que pode ser considerado o Complexo Cultural Bumba-meu-boi do Maranho, cujo valor simblico reside no seu conjunto: dana, msica, poesia, teatro, cenrios, instrumentos, indumentria e papis a serem desempenhados, atravs de um processo de trocas interculturais de traos de origens africana e indgena com elementos trazidos pelos europeus, sem desconsiderar a influncia de outros povos.

No caso do Bumba-meu-boi, a nfase recai no poder de mobilizao social dessa brincadeira que, ao reforar laos de solidariedade entre os seus representantes, refora, tambm, uma visibilidade pblica desses brincantes e, conseqentemente, sua identidade, seu modo diferente de ser e crer. Considerando que o valor simblico de um bem cultural construdo socialmente, justificase o reconhecimento do Bumba-meu-boi como Patrimnio Cultural do Brasil, cuja multiplicidade de significados, expressa em seus mais diversos aspectos e variaes, merece ser compartilhada pela sociedade brasileira.

As notcias mais antigas sobre o Bumba-meu-boi do Maranho encontradas em documentos histricos e peridicos nos levam a uma viagem ao Sculo XIX. Uma anlise desses escritos revela um contexto sociocultural permeado de preconceito e interdies s manifestaes culturais populares.

No caso especfico do Bumba-meu-boi, as notcias publicadas em jornais invariavelmente se referem brincadeira como dana de negros e, no raro, so utilizados termos que sugerem serem os brincantes promotores de brigas e confuses. Nas pesquisas realizadas sobre essa expresso cultural maranhense recorrente a afirmao de ser do ano de a primeira referncia local ao Bumba, publicada em nota do jornal O Imparcial, de circulao em So Lus. Entretanto, o historiador Matthias Rhrig Assuno faz aluso a uma referncia de publicada no romance histrico A Setembrada, do escritor maranhense Clvis Dunshee de Abranches.

Segundo Assuno, o romancista destaca que os ataques populares contra os portugueses e seus estabelecimentos comerciais durante a guerra de Independncia podiam, inclusive, tomar a forma de um violento bumba-meu-boi Assuno, Ao revelar a forma como o Bumba-meu-boi se manifestava naquela ocasio, danando e cantando versos ofensivos aos portugueses numa conjuntura de confronto entre brasileiros e lusitanos, a obra reafirma uma caracterstica j presente na brincadeira no Sculo XIX: a capacidade do Bumba-meu-boi em se apropriar de fatos atuais como temas geradores de elementos para alimentar a brincadeira, inserindo-se no contexto de sua poca.

O Governo prohibira os fgos e destacra foras para que os bandos tradicionaes do Bumba-meu-boi no passassem do areal do Joo Paulo. Apezar dessas ordens rigorosas, na noite de 23 de Junho [de], armados de perigosos busca-ps de folhas de Flandres e de carretilhas esfusiantes, grupos de rapazes, inimigos ferozes dos puas, affrontaram a soldadesca at o Largo do Carmo, onde danaram e cantaram versalhadas insultuosas contra os portuguezes, atravez de um verdadeiro combate de pedras, pranchadas e tiros de toda a especie.

A casa de Francisco Coelho de Rezende, recm-construda, ficou muito damnificada e com as portas arrombadas, sendo atiradas rua numerosa e finas mercadorias. Abranches apud Assuno, Mas se a referncia literria pode lanar dvida acerca da veracidade dos dados pela liberdade que o romancista experimenta, peculiar do processo criativo, a segunda referncia merece maior credibilidade por estar fundamentada em episdios do cotidiano relatados em publicao jornalstica.

Vale ressaltar que a imprensa maranhense s foi inaugurada em , com a criao do primeiro jornal da provncia - Conciliador do Maranho, como informa Frias , o que justifica, portanto, a ausncia de notcias sobre o Bumba-meu-boi anteriores aos anos 20 do sculo XIX. Tambm merece destaque o trecho publicado pelo cronista Joo Domingos Pereira do Sacramento, no Semanrio Maranhense, em , no qual afirma a existncia do Bumba-meu-boi h, pelo menos, duas geraes anteriores sua Que importa que nas melhores horas do somno [sic] e do socego [sic] as paredes dos aposentos estrondeassem com os gritos do boi, se todos ns tivemos a incommensuravel [sic] fortuna de ver renascido o folguedo com que tanto se divertiram nossos pais e nossos avs?

Maria Laura Cavalcanti assinala ser o registro mais antigo encontrado em sua pesquisa uma carta endereada ao jornal Farol Maranhense, divulgada na edio de 7 de julho de , na qual feita uma pequena descrio do folguedo permeada pela indignao do leitor com o Bumba-meu-boi.

A mesma carta citada por Assuno, que endossa ser essa a referncia mais antiga, em comparao s costumeiramente citadas pelos estudiosos do Bumba-meu-boi maranhense, e salienta tanto o carter marcial quanto o carter festivo e alegre da brincadeira. Redactor - Moro no Bacanga e poucas vezes venho cidade. Mas tenho um compadre que me fica visinho, que no passa festa que no venha assistir a ella. Pela de S. Joo veio elle, s para ver as correrias do Bumba-meu-boi, e na volta contou-me as seguintes novidades que por duvidar um pouco dllas, tencionei contar-lhas para me fazer o favor de dizer si so ou no verdadeiras.

Disse-me o tal meu compadre, que na noite de So Joo houve muitos fogos: que andavo malocas de 40 e 50 pessoas pelas ruas armados de buscaps, todos mui alegres que a Polcia no prendeo a ninguem por quanto nenhuma desordem acontecera.

Ora Sr. Farol Maranhense apud Cavalcanti, Do perodo compreendido entre a , no foram encontradas referncias em jornais, mas, em pesquisa no exaustiva realizada em documentos do acervo do Arquivo Pblico do Estado do Maranho, foram localizadas ocorrncias policiais concernentes ao Bumba-meu-boi, sendo uma datada de 28 de junho de , portanto, o documento mais antigo sobre a brincadeira, relatando a priso de um soldado acusado de agresso a brincantes do Bumba.

Maranho Q tel do Com. Alm de ser o registro escrito mais antigo sobre o Bumba-meu-boi maranhense, a ocorrncia policial lana outro olhar sobre os atos da polcia da poca. Apoiado em Assuno a, p. Aps a proclamao da Independncia do Brasil, em , iniciaram-se as proibies dos batuques no permetro urbano das cidades aps o toque de recolher.

Barros, A ocorrncia policial mostra que a mesma polcia que reprimia a manifestao do Bumba assegura o direito dos brincantes. Mas o procedimento policial, ao punir o agente que tentou impedir os rapazes de brincarem o Bumba, no isenta a instituio de seu papel repressor, pois, a garantia para brincar e a proteo dada aos brincantes legitima e refora o poder coercitivo do aparato policial. Em , uma segunda ocorrncia policial encontrada, tambm, no Arquivo Pblico do Estado do Maranho, expe o outro lado da ao policial e mostra os agentes da ordem cumprindo o papel a eles designado pela sociedade maranhense da poca.

Uma patrulha prendera um negro acusado de dar motivo para motins pela rua. A fluidez da acusao, nesse caso, comprova o preconceito da polcia com quem participava do Bumba-meu-boi:. A stima patrulha composta dos guardas nacionais do segundo batalho prendeu s seis horas da tarde na rua de Santana o preto Fernando, escravo de Jos Maria Barreto por andar com uma armao coberta vulgarmente conhecida por bumba-meu-boi, dando assim motivo a que se reunissem grupos de pretos fazendo motim pela rua.

Documento do Corpo de Polcia - Partes do Dia - em 11 de maro de Do ano de tm-se, curiosamente, pr e contra, dois registros publicados em jornais sobre o Bumba-meu-boi. O primeiro, do jornal O Imparcial de 15 de junho, uma carta de um leitor que assina com o codinome Um Amigo da Civilizao, em que o Bumba rechaado e a polcia criticada pela concesso da licena para a brincadeira: Quando uma grande parte da populao se empenha por fazer desaparecer os busca-ps, por serem fatais, concede-se licena para estpido e imoral folguedo de escravos denominado bumba-meu-boi, incentivo para os busca-ps, e admira-se mais que isto acontea, quando h anos a presidncia ordenou polcia que no consentisse esse folguedo, por ser oposto boa ordem, civilizao e moral.

Quando por causa do bumba-meu-boi no aparecem cacetadas e mesmo facadas, causa de uma enorme algazarra que prejudica o silencia perturbando o sossego que deve haver para o sono, sossego que cumpre polcia manter. Ns esperamos que a polcia reconsidere no passo irrefletido que cometeu, para no ser ela responsvel perante a opinio pblica, do mal que houver por causa do bumba-meu-boi.

Prado, Na carta do amigo da civilizao e inimigo do Bumba-meu-boi so reiteradas as informaes fornecidas pelos registros anteriores: folguedo de escravos, ocorrncia de brigas, utilizao de busca-ps e obrigatoriedade de anuncia da polcia para que o Bumba sasse na rua. O segundo texto, uma crnica do jornal A Verdadeira Marmota, na qual o autor, que se assina Os Ss, demonstra uma paixo pelo brinquedo de negros e refora ser o Bumba-meu-boi uma brincadeira de escravos.

Nele, o amante do Bumba advoga em defesa do admirvel brinquedo que ns no podemos banir e fornece muitos dados acerca do Bumba-meu-boi, citando os personagens Catharina, vaqueiros, padre, o Doutor Pisamacio, Pai Francisco e o Caboclo Real, dos quais apenas o padre e o doutor desapareceram da brincadeira nos dias atuais.

Eis o bumba!

BAIXAR MUSICAS BOI MARANHAO DO MEU DO BUMBA

Vede-o escavando o cho ao som da ria - Eh bumba: vede-o requebrando-se ante os olhares requebrados da pudibenda Catharina, que ouve as finezas dos vaqueiros que entoo o hymno - Catita!

Vede-o ajoelhado ante o padre que ouve a confisso, e o prepara para bem morrer! Vede-o ante o Dr. Pisamacio que com o Pai Francisco e o Caboclo Real disputam a glria de possuir este a lingon e aquelle os mocots pertencentes ao boi do vaqueiro real!

Admirvel brinquedo, luzida civilizao esta nossa! Vede os personagens do bumba, escravos arredados dos servios seos Senhores, perturbadores da tranqilidade pblica s dez horas! Grande o santo progresso!

BOI BUMBA DO BAIXAR MARANHAO MEU DO MUSICAS

Os antigos gregos acabaro com as suas saturnaes; os romanos com as festas a Bacho; os passados Francos com as procisses dos ms; e com a festa dos jumentos, mas ns no podemos banir o bumba. Reis, O artigo digno de cuidadosa ateno pela riqueza das informaes nele contidas. Antes que os estudiosos do folclore se ocupassem em assegurar que o Bumba-meu-boi veio da frica, o cronista j chegara a essa concluso, explicitada nesse artigo de - A frica civilizou o Brasil disse h tempos o venerando Bernardo de Vasconcelos; no sei at que ponto isto verdade; sei que esta civilizao de bumbas e mais trapalhadas veio-nos da frica, e que aqui estabeleceo-se [sic] at officialmente [sic]!

Referindo-se ao Bumba-meu-boi como inocente divertimento de escravos, o autor informa que era praticado noite at de madrugada, ao som de palmas ou palmadas Em seguida, narra a encenao com todos os elementos do que se conhece como o auto do Bumba-meu-boi: roteiro, personagens e as cenas clssicas da morte e ressurreio do boi, alm da confisso do caboclo real antes da diligncia para prender o Pai Francisco.

Existia um valento vaqueiro, no sei de que nao, mas devia ser de Guin, que tinha um boi, que era conhecido pelo Boi Estrela: e havendo outro vaqueiro de nome Pai Francisco, que casado com me Catharina, que achando-se no estado interessante desejou comer a lngua do boi Estrela, e o Pai Francisco no querendo ver sua cara-metade ter um transtorno no estado em que se achava, sem mais cerimnias corta a lngua desejada; dessa operao o boi morreu. O dono do boi deu o grito de alarme e tratou de descobrir quem tinha matado o seu querido Estrela!

E chamado o lecenceado [sic] e este requer junta, para a qual foi ouvido o Dr. Pisamacio, que examinando perfeitamente o boi reconhecero [sic] que tinha sido morto por Pai Francisco! Reconhecido Pai Francisco como assassino, chamado o caboclo-real pra hir [sic] prender, como se fosse autoridade policial, e o caboclo antes de hir [sic] correr o risco de morrer na luta, que temia ter para prender ao Pai Francisco, confessou-se e partiu cantando terna e docemente esta sublime poesia: Cantando e chorando Atrs do curr Caando Pai Francisco No pode o ach [sic] Desgraadamente descobre ao vaqueiro esposo de me Catharina e dirige-se a ele com a fria de um leo: - Pai Francisco pleto vio, baba de bassoura, batiga de matta veia, meu amo te manda te dizer de tres [sic] cousa [sic] uma, ou corpo, ou cabea ou a vida.

Resiste, dando berros ao caboclo, mas afinal pobre do tio Chico preso e o caboclo, orgulhoso por ter prendido to valente contendor, canta: Eu sou caboclo re Caboclo de Canind Tenho arco, tenho frecha Tenho candeia no p E o povo, comparsas, cotistas e figurantes respondem: Ch, ch, ch.

Geremano Ch, ch, ch. Geremano Trazido barra do tribunal, o assassino do boi Estrela tornou-se ru confesso, declarando que tinha morto o boi Estrela por causa da me Catharina. A pobre da mulher ali vem presa tambm e trmula canta e chora at na presena dos juzes. Perguntando-se ao pai o que tinha me Catharina, para matar o boi Depois o pobre vaqueiro acoitado, pulando por cima do boi at que o castigo pra e o Pai Francisco obriga-se a curar o boi!

A receita foi menor que homeopathica [sic]; o boi no bebeu mezinha alguma e s com tres [sic] assopros Batem palmas todos e canto [sic]: J hurrh, j hurr J huhrr fama ria Boi de fama como este No serto no haver Tareques tir. Essa referncia pode indicar que no eram utilizados instrumentos musicais, com o ritmo marcado pela batida com as mos, ou pode informar que j naquela poca eram utilizados instrumentos denominados palmas, que fazem o acompanhamento musical em grupos de Bumba-meu-boi da regio do Baixo Parnaba.

Acredita-se que a primeira hiptese seja a mais provvel com base na citao do cronista Domingos Sacramento, de , que, estranhando a introduo de matracas no Bumba, sugere que at aquele ano no havia acompanhamento de instrumentos na brincadeira. O mundica canrio Ora tanques tir Despedem-se da casa que paga para ver danar tal tal babuzeira e eil-os procurado outro cenrio, e vo cantando: Adeus vou me embora Vou pro serto E na copa do meu chapu chuvia [sic] Quando vinha da cidade chuvia [sic] Chuvia [sic] busca-ps Cachorrinho quando late No buraco do tatu Nosso r, nosso r, nosso r baxad Viva a mulata que tem seu Arno Reis, Dentre as informaes fornecidas pela crnica, o pagamento pela apresentao do Bumbameu-boi denuncia certa ambivalncia no seio da sociedade maranhense do Sculo XIX.

Observa-se que, embora o Bumba estivesse inserido num contexto de preconceito e discriminao, em algum nvel havia valorizao da brincadeira por determinado segmento social. As referncias publicadas em demarcam o incio de um perodo de sete anos sem notcias da brincadeira. Nesse intervalo, entrou em vigor o Cdigo de Posturas de So Lus, pela Lei Provincial de 4 de julho de , que, em seu artigo , proibia a realizao de batuques fora dos lugares permitidos pelas autoridades competentes.

O mesmo artigo estabelecia que os infratores estavam sujeitos ao pagamento de multa ou priso por um perodo de seis dias. Pesquisadores do Bumba-meu-boi tm justificado esse silncio como resultado de um longo perodo em que o Bumba fora proibido de sair nas ruas. Essa suposio encontra eco em afirmaes localizadas nos registros de do jornal O Imparcial e de , publicado no jornal Semanrio Maranhense e corroborada pelo dispositivo legal de , pelo menos nos dois anos que antecedem a volta do folguedo.

BUMBA BAIXAR MARANHAO MUSICAS DO DO BOI MEU

Na carta enviada a O Imparcial, o amigo da civilizao refere-se a uma antiga determinao da presidncia [da provncia] polcia para que no permitisse o Bumba-meu-boi por ser oposto boa ordem, civilizao e moral e que no estaria sendo cumprida.

Na crnica de Joo Domingos Pereira do Sacramento, publicada em 5 de julho de , no Semanrio Maranhense, o autor d pistas sobre o motivo do desaparecimento do Bumba-meu-boi por extenso perodo ao se referir ao renascimento do folguedo e saudar a polcia pela iniciativa que. Nesta ltima quinzena, que contada de 12 de junho at o dia do corrente mez [sic], o chronista [sic] tomou nota de uma sbia resoluo que parecia j prescrita pelos nossos costumes, para o fim de louvar ambas a cousas [sic].

Pelo ato da polcia e viva o Bumba! Semanrio Maranhense, Domingos Sacramento ironiza os espritos civilizados que temem o renascimento dos antigos costumes e, lamentando os sete anos em que esteve privado de ver o Bumba-meu-boi na rua, atribui a este hiato o atraso observado na brincadeira, elucidando que a ausncia do Bumba no fora apenas dos registros na imprensa, mas, efetivamente, das ruas da cidade.

No discurso do cronista, verifica-se que no Sculo XIX a discusso sobre a manuteno do tradicional no Bumba-meu-boi j estava presente. Joo Sacramento admite seu apego aos antigos costumes como salvo-conduto para criticar o progresso no Bumba com as novidades introduzidas naquele ano. Effectivamente [sic] as legendarias figuras do bumba deste anno [sic] no deram especimens daquelle [sic] antigo sainete do boi dos tempos em que eu e vs, leitores moos, ramos ainda crianas. S na extravagancia [sic] do vesturio eram exactas [sic] e parecidas s de outrora [sic]; as mesmas casacas velhas com enfeites de pedaos de papel, com excepo [sic], porm, do caboclo guerreiro, que com certeza no tinha o brilho das pennas [sic], o garboso cocar, o leve e ligeiro do enduape do caboclo antigo, que era em tudo semelhante aos heroes [sic] indigenas [sic] do nosso poeta Gonalves Dias.

Semanrio Maranhense, Dentre as mudanas citadas, a introduo, naquele ano, de um repinicado de matracas, acompanhando gritos de uma multido que seguia a brincadeira, aponta para a evoluo do folguedo, em , para o que hoje se conhece como os Bois da Ilha, com uma configurao mais aproximada desse estilo caracterstico da Ilha de So Lus.

Essa passagem denuncia, ainda, a grande preferncia popular pelo folguedo. Personagens mencionados pelo cronista de A Verdadeira Marmota, em , foram preservados: Dr. Sacramento segue enumerando as transformaes no Bumba, segundo ele, para pior. Em tom saudosista lamenta o progresso da imaginao popular, com os cantos novos sem graa, nem beleza alguma. Tambm informa sobre alterao no calendrio do ciclo do Bumba-meu-boi, revelando que antes o sepultamento do boi se dava no dia de So Maral - 30 de junho.

Naquele ano, para descontentamento do cronista, na madrugada do dia 1 de julho o boi tinha vida e berrava estrondosamente. Semanrio Maranhense, O procedimento legal do pedido de licena polcia para sair s ruas e a preferncia popular pelo Bumba so citados por Sacramento ao se referir aos excessos praticados pela multido que acompanhava a brincadeira berrando fortemente.

A represso que caracterizou a conturbada relao da sociedade maranhense com o Bumba-meu-boi no Sculo XIX ainda se estenderia at o sculo seguinte. Entre os anos de e os responsveis pelos Bumbas deveriam solicitar, por requerimento, autorizao policial para ensaiar a brincadeira e sair nos dias dos festejos juninos.

A licena, entretanto, s era fornecida para locais situados fora do permetro urbano, os chamados arrabaldes, cujos limites foram estabelecidos, no sculo XX, para alm da estao de bondes do bairro do Joo Paulo. Ribeiro apud Assuno, Em , o peridico A Flecha, que circulava em So Lus, faz referncia participao feminina em um Boi que percorreu as ruas da cidade na noite de So Pedro, atraindo mais de mil pessoas, das quais a maioria eram mulheres. Na mesma edio foram publicados versos atribudos ao Pai Francisco que evidenciam a alegria pela chegada do tempo dos Bumbas, o uso dos buscaps e os prejuzos que.

Tambm so reveladores do tom satrico dos Bumbas daquele perodo ao tratarem dos fatos polticos da poca, alm de reafirmarem ser o Bumba-meu-boi um folguedo praticado por negros e eximir a polcia do papel de vilo absoluto, sugerindo que a proibio s brincadeiras de Bumba-meu-boi poderia ser flexibilizada A Flecha, : bumba!

Nosso tempo j voltou, O boi do mestre Alexandre Na cidade j entrou! Nosso tempo j voltou! Guenta p, guenta p Guenta p que l vem buscap!

A policia deste anno No to m como se pensa Fechou olhos s posturas bumba! E aos pretos deu licena! Cho, Cho, Cho, Gerimana! Ch, e ch e ch, Gerimana! Deus permita que pro anno O dia da eleio Caia mesmo como este, bumba!

To perto de So Joo. Quando eu vinha da cidade Chovia Na copa do meu chapo, chovia! A gente grita na rua At j madrugada Buscap rebenta e deixa, bumba! Muita vidraa quebrada! J urrou! Boi de fama que Chico matou!

Saia de chita se queima Chora creana e mulher Rola o po, mas o governo bumba! Faz eleio como quer! Em , o escritor maranhense Alusio de Azevedo destinou algumas linhas de sua obra O Mulato para o registro de versos25 do Bumba-meu-boi cantados por um sertanejo26 durante uma festa de So Joo Azevedo, A insero dessa manifestao cultural na obra do fundador do Naturalismo na literatura brasileira sinaliza para a importncia da presena do Bumba no contexto social do final do Sculo XIX.

Um levantamento feito a partir de solicitaes de licena encaminhadas autoridade policial no perodo a , logo aps a abolio da escravatura e a instaurao da repblica no Brasil, 25 Parte desses versos fora publicada em A Flecha, no ano anterior.

Denominao usada pelo autor para referir-se a um repentista. Os requerimentos eram encaminhados, em geral, no ms de maio, pedindo autorizao para ensaiar e sair nos dias de Santo Antonio, So Joo e So Pedro. Todos foram indeferidos, sugerindo que o critrio para a recusa no era apenas a proximidade com a rea mais urbanizada da cidade. Ao Cidado Dr.

Chefe de Polcia Parecer: Indeferido Polcia do Maranho, 14 de maio de Joo da Matta de Azevedo Campos, desejando ensaiar a antiga brincadeira de bumba-meu-boi e, no o podendo fazer sem nossa licena, vem por meio da presente, pedir, que vos digneis conceder-lhe permisso para que possa O Sup.

Nestes termos E justia Parecer: Indeferido a bem da ordem e moralidade pblica. A Secretaria de Polcia do Maranho, 17 de maio de Thomas de Aquino Ferreira residente no lugar denominado Maioba nesta ilha, vem respeitosamente requerer a V. S se digne conceder-lhe permisso, para que o supp. Possa sahir com alguns amigos seus nas noites de S. Joo e S. Desde j promette toda ordem e moralidades. Requerimento de Manoel Sabino Gonalvez ao Chefe de Polcia Parecer: Indeferido 14 de maio de Manoel Sabino Gonalvez, desejando enaiar uma brincadeira denominada Bumba-meu-boi, no Largo do Matadouro deste estado, e sair a rua, pela festividade de S.

Antonio, S. Pedro e no podendo assim fazer sem licena de V S vem umildemente pedir vos que pelo vosso despaixo o coneda a referida licena obrigando-me a manter a ordem e respeito a moral pblica. Nestes Termos ERM. As interdies da autoridade policial ao livre acesso dos Bumbas a determinados logradouros pblicos se contrapem ao prestgio que a brincadeira gozava na So Lus da ltima dcada do Sculo XIX, comprovado em pequenas notas publicadas na imprensa local da poca convidando os leitores para assistirem s apresentaes da brincadeira, conforme comprova texto do jornal A Pacotilha publicado em Viva o boi da Madre Deus, Respeitado Pblico!

Vinde Domingo s 5 horas da tarde na casa do administrador do Matadouro Pblico, ver o mais popular folguedo do bumba-meu-boi. As notcias tratam de uma viagem realizada por 14 maranhenses para a cidade de Chicago, nos Estados Unidos da Amrica, para. No vapor ingls Maranhense seguiram ontem para Nova York 7 homens e 6 mulheres de cor, acompanhados por um intrprete especial, contratados para, no Parque da Grande Exposio, exibir as danas populares do nosso Estado, conhecidas pelos nomes de Bumba-meu-boi, Tambor e Chorado.

Foi pintado pelo conhecido artista Joo Manoel da Cunha o BOI que h de servir para a dana, e ao qual deu a aparncia de um formidvel garrote taurino.

Esse grupo, contratado pelo representante dos empresrios desses e de outros costumes do Sul e do Norte do Brasil, estabeleceu para o pessoal as melhores garantias e toda a segurana, sendo os contratantes aqui visados pela Chefatura de Polcia, com viagem de ida e volta, passagens de 1 classe e todas as despesas de tratamento at o ms de novembro.

Alm dos gneros que o Maranho expe, e que daro perfeita idia de sua indstria, arte e lavoura, vai oferecer, na seo competente, uma interessante diverso que h de atrair a ateno dos nacionais e forasteiros que concorrem a esse grande certame, conhecido no mundo inteiro. Bem felizes so os 14 maranhenses que, com certeza, a no ser a Exposio Columbiana, no teriam ocasio de to agradvel, til e instrutiva viagem.

Senado Notícias

Dirio do Norte apud Mello, A viagem Chicago confirma que havia certa valorizao ou, pelo menos, prestgio da brincadeira por parte de alguns segmentos sociais da poca. Nos anos que antecedem a virada do sculo, a importncia do folguedo como opo de lazer na cidade atestada pelos freqentes anncios de apresentaes de Bumba-meu-boi em bares e cafs localizados no Anil Em 23 de junho de , na vspera do dia de So Joo, o Garrido, localizado na Jordoa prximo ao Anil , espera a rapaziada de bom tom para assistir este folguedo de tanta ateno, tendo as ordens cerveja fria, vinhos, conhaques.

A Pacotilha, n , de 22 de junho de , apud Ferretti, Na mesma edio desse peridico publicado um anncio de Albino Xavier chamando para um Bumba-meu-boi em seu bar, convite reproduzido dois anos mais tarde, tendo o Boi da Maioba como atrao.

Barros, Os escassos dados encontrados sobre a histria do Bumba-meu-boi no Sculo XIX registram perodos de represso e controle da brincadeira por parte das autoridades constitudas da poca, mas revelam, tambm, a aproximao das elites em relao a esse folguedo de negros e mestios que se impunha pela sua fora e resistncia s adversidades que marcaram esse perodo e que garantiram a sua passagem para o Sculo XX.

Sculo XX: de brincadeira de negros a cone da cultura maranhense O Sculo XX foi, para o Bumba-meu-boi do Maranho, um tempo de grandes transformaes, tendo So Lus como o palco dessas mudanas. A partir do mapeamento dos fatos ocorridos ao longo desse perodo, pode-se dividir a histria do Bumba-meu-boi, ainda que arbitrariamente, em quatro fases: o tempo dos conflitos, de a ; a valorizao do Bumba-meuboi, de a ; a institucionalizao dos grupos, de a ; e a insero do Bumba no mercado de bens culturais, de a No Sculo XIX, logradouro afastado do Centro da cidade onde se concentravam stios e vivendas das elites.

Barros, A fase dos conflitos foi marcada por aspectos trazidos do sculo anterior, com o registro de rivalidades entre as turmas, mas, tambm, trouxe novidades com a chegada dos Bois de municpios do interior do Estado.

A represso aos Bumbas, expressa em ocorrncias policiais, e o preconceito das elites, manifestado em textos publicados em jornais, assinalam a conjuntura em que o Bumba-meu-boi estava inserido no alvorecer do sculo passado. O perodo compreendido de a revela um contexto em que o Bumba-meu-boi ganha projeo no meio sociocultural maranhense, demarcando o incio de um processo de valorizao dos Bois por meio de iniciativas como a realizao dos concursos, a principal marca dessa poca.

Tambm foi um perodo em que a presena dos Bois, provenientes de outros municpios maranhenses j estabelecidos em So Lus, se solidificou e foram criadas outras turmas, inspiradas naquelas.

Rumos 2015-2016: Guriatã (Boi de Maracanã)

Foi a poca em que o Bumba foi apresentado em espaos a que s a cultura das elites tinha acesso. No terceiro marco temporal, de a , as aes do poder pblico para o turismo se voltaram para o Bumba-meu-boi como o representante, por excelncia, da cultura popular do Maranho. A opo pelo Boi para desempenhar esse papel induziu os grupos a buscarem meios de viabilizar sua participao nos eventos patrocinados pelo poder pblico, levando os Bumbas a deixarem a informalidade que caracterizava as brincadeiras para formalizarem juridicamente sua existncia.

A ltima fase caracterizada pela consolidao do Bumba-meu-boi como produto, processo iniciado na fase anterior. Ao vislumbrar o potencial do Boi para atrair turistas para o Estado, os poderes pblicos passaram a dar especial ateno ao folguedo, destinando grande volume de recursos para as programaes juninas que tm o Bumba-meu-boi como principal atrao e criando uma demanda para o mercado de bens culturais. Os recursos empregados em campanhas na mdia interna e externa, em pagamento de cachs aos grupos integrantes das programaes e na montagem de infraestrutura para as apresentaes foram elevados de forma vultosa nas duas ltimas dcadas.

Esse investimento influenciou na dinmica dos grupos, sobretudo no tocante ao ciclo do Bumba-meu-boi, de modo geral, e musicalidade, indumentria e crescimento dos grupos de Bumba-meu-boi de orquestra, de modo particular. A histria do Bumba-meu-boi na primeira metade do Sculo XX caracterizada pela rivalidade entre os Bumbas, pelo controle da polcia ao folguedo e pelo incio da migrao de Bois dos sotaques de Guimares e da Baixada para So Lus.

So recorrentes, em jornais desse perodo, notcias de brigas envolvendo os participantes da brincadeira o que, muitas vezes, provocava a cassao das licenas concedidas pela autoridade policial para que os Bumbas brincassem em espao pblico fora de seu lugar de origem. Se por um lado a contenda entre os Bumbas restringia seu espao para brincar, por outro legava certo status s brincadeiras. Roselene anotou tudo para saber por onde conduzir suas aulas. Síntese do trabalho.

Pesquise e em seguida escolha um museu onde os alunos possam entrar em contato com os elementos do folclore. Com as perguntas iniciais levantadas, Roselene reuniu pais e alunos para apresentar o projeto e saber o quanto as famílias conheciam sobre o folclore.

Percebeu que nem mesmo os pais tinham muitas informações. Queria pô-la em contato com as tradições. É um desafio da escola focar o currículo nos saberes da cultura popular. O auto do bumba-meu-boi. O teatro encenado pelo povo maranhense também é chamado de matança do boi.

A festa surgiu com o ciclo econômico do gado e sofreu influências indígena, portuguesa e negra. A brincadeira é aberta a todos, homens e mulheres, idosos e crianças, e conta a história de Pai Francisco e Catirina, sua mulher, que moravam em uma fazenda onde ele era vaqueiro escravo.