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No Brasil, a arte chegou em meados do século XIX. Assim encontrmos preciosos contos do Algarve, muitos dos quais tivemos de rejeitar da nossa coleco. Sofia enfiara o braço no dele, para irem ver a lua. Gosto de energia. Foi o Palha que lhe trouxe um guarda-chuva. Nela, um grupo de escritores que tinha em comum seu amor pela arte deixou suas impressões sobre numerosas questões, inclusive o amor. Lembro ao leitor que nesse romance a protagonista compra o marido. Demais, tenho ordens que dar.

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Deixa-nos perdidos. E — tarde demais — perdidamente enrolados. Sofrem emoções como quem sofre golpes. Passam por mil martírios. Descobrem-se vítimas de uma ferida recebida sem que se saiba como. Um amor que busca romper com velhas receitas, com fórmulas banais e com os clichês que se lhe impõem os costumes, as leis e as rotinas sociais. E notar, é colocar a parte, é singularizar. Um, ou uma, entre todos. Um rosto, um nome. O eleito é distinto: superior como um rei ou distante como uma estrela.

Cada cultura reserva-lhe um espaço privilegiado em seu sistema, representando-o à sua maneira. Como viveriam prazeres e dores em sua vida. Conseguiríamos surpreender quais paixões ou simples brincadeiras amorosas podem ter provocado experiência, felicidade ou dramas pessoais na vida de nossos antepassados? Qual a natureza da intimidade entre homens e mulheres? Onde aparecia o desejo? Nossa vida amorosa é diferente da dos nossos avós? Essa ética sexual se impôs com maior ou menor rigor, dependendo de épocas e lugares, por muito tempo.

E impregnou as mentalidades. Um prato cheio para pesquisadores curiosos! Sabemos, caro leitor, que homens e mulheres, ontem, nutriam idéias totalmente diferentes de nossas concepções de vida e do mundo, hoje. E possível entendê- los? Podemos tentar, lembrando sempre que uma coisa é certa: um homem do século XVIII, por exemplo, tem de ser entendido em seu contexto. Gente humilde, sem letras, morando em simples palhoças, à beira de praias ou embrenhada pelos matos, curvada sobre suas rocinhas de alimentos e, mais tarde, vendendo serviços na cidade grande.

Juliano Fleck

Isso sem falar na massa silenciosa constituída por escravos, cujas tradições orais se perderam no tempo. Temas como a família, a privacidade e o sexo. Uma dicotomia atravessa, todavia, a maior parte das fontes documentais. A pesquisa das intimidades no passado é coisa difícil.

Com todos os seus riscos e perigos. Para isso, foram utilizados tanto documentos da época quanto pesquisas produzidas sobre o assunto.

Para tomar a leitura mais fluente, optei por eliminar as notas de rodapé. Os importantes trabalhos consultados encontram-se na bibliografia, no fim do livro.

Ele tem a ver com esse homem total cuja cultura e vida tanto nos interessa. No passado, o assunto só era mencionado para descrever os amores de tal rei ou o adultério de tal rainha. Ela responde, sim, ao imenso interesse que invade o observador quando este tenta interpretar a complexidade das realidades amorosas de outrora.

Azar o delas. Histórias desse amor para sempre e, também, histórias de amor para nunca mais. Comecemos, leitor, com um pequeno exemplo. Muito barulho. Ressaltava, contudo, que tais disposições em nada podiam prejudicar seus legítimos herdeiros. E que tanto bem-querer se traduzisse em bens materiais e escravos. Amar com sentimento de dever ou com afeto? Suportar a amante dentro da mesma casa como por vezes sucedia?

Tudo isso e mais um pouco, como veremos. Na bagagem da chegada ao Novo Mundo, os portugueses trazem sua forma de vivenciar o amor. As tradições portuguesas — e européias, em geral — aportam na colônia que, no entanto, apresenta particularidades, como veremos neste capítulo.

Sua existência justificava-se por cuidar da casa, cozinhar, lavar a roupa e servir ao chefe da família com seu sexo. Independentemente de seu requinte ou rusticidade, as casas de outrora ensejavam, como lembra o historiador Ronaldo Vainfas, pouquíssimas oportunidades de vivências privadas.

Mas se as autoridades reconheciam que havia uma lei da natureza que levava os indivíduos de sexo diferente a viverem juntos para a sobrevivência da espécie, elas distinguiam animais e homens. Ou em doença grave, nas teorias médicas da época. Na França ou na Inglaterra a história dos sentimentos se fez com exuberância e esteve, a partir da segunda metade do século XVIII, articulada com a emergência do amor romântico e da família burguesa.

Os sentimentos afloravam diretamente da experiência concreta. Mas que tipo de igualdade deveria presidir a escolha do cônjuge? Pelas leis da Igreja, aos 14 anos os rapazes podiam contrair casamento; as meninas estavam aptas a partir de No litoral sudeste, segundo a historiadora Maria Luiza Marcílio, os casamentos ocorriam em torno dos 21,6 anos para os homens e dos 20,8 para as mulheres: uma diferença, portanto, menor. Passados os 30 anos, solteiros encontravam grande dificuldade para contrair matrimônio, mesmo o sacramento sendo pouco recebido na colônia.

Nessa época, apenas membros das classes subalternas conseguiam escolher seus cônjuges de forma mais espontânea. Um exemplo? Desde sempre, a mulher ideal: pura, generosa, fiel e Casamento: negócio para a vida toda A indissolubilidade do matrimônio, estabelecida pela doutrina da Igreja Católica, era usada como principal argumento a favor de uma escolha cuidadosa visando ao futuro do que um entusiasmo presente ditado pelo interesse físico ou outros.

E quanto ao casório propriamente dito? Por quê? O conceito desse amor que devia ser vivido pelos casados denunciava, com desprezo, os afetos excessivos. Desde que o Concilio de Trento liberara, pelo menos teoricamente, a mulher da tirania do direito romano, uma vez que a monogamia fora definitivamente estabelecida, a indissolubilidade proclamada, os maridos proibidos de repudiar suas mulheres e relaxados os casamentos forçados, a mulher precisava ser reinscrita em um sistema de hierarquia e obediência.

Ela devia inspirar sentimentos que os moralistas procuravam desenhar, sem borrões. Tudo, de preferência, na santa paz do Senhor. Impunha-se uma dicotomia sexual, na qual o homem era ativo e a mulher, passiva. Virgindade e continência seriam preferíveis à sexualidade conjugal, que, por sua vez, seria melhor que a incontinência. Sobre o papel da mulher durante o coito, fazia-se eco aos conselhos de Aristóteles: que nenhuma mulher, mas nenhuma mesmo, desejasse o lugar de amante de seu marido.

O que se procura é cercear a sexualidade, reduzindo no mínimo as situações de prazer. Essas idéias, expressas em meados do século XVI, constituem ainda hoje a moral que rege parte das relações pré-matrimoniais. Era proibido evitar filhos. Era proibido à mulher colocar-se por cima do homem ou de costas. A Igreja, todavia, preferia, etiquetar tudo sob o rótulo dos temidos ósculos.

Houve alguns teólogos que tentaram adoçar a rigidez das regras. Confessor: E tais tatos eram em ordem da cópula? Obras como a Carta de guia de casados de , de D. Perde-se a paz e a vida é um inferno. Aquele amor cego fique para as damas; e para as mulheres o amor com vista. Ou cure os olhos que tem ou os peça emprestado ao entendimento desses que lhe sobejam. O primeiro acaba na posse do que se desejou.

O segundo começa nela; mas de tal sorte, que nem sempre o primeiro engendra o segundo, nem sempre o segundo procede do primeiro. Dê-se a entender a mulher que a coisa que mais deve querer é seu marido. Tenha o marido para si que a coisa que mais deve querer é sua honra e logo, sua mulher. Amor de concupiscência é querer bem em ordem ao bem, convivência ou gosto de quem ama. Amor de benevolência é querer bem para o bem da pessoa amada. Seu manto, que toda a nudez castiga, era feito de castidade.

O modelo de desordem sensual contrapõe-se à necessidade de recato que deve ser obedecida até a força. O esposo divino podia ser igual ao marido terreno, violento e vingativo. Proibe-se a busca do prazer, associado ao adultério; e o amor conjugal?

E o que seria o desamor? Fica claro o jogo de compaixões e culpas. Casos de desajustes conjugais por causa da pouca idade da esposa revelam os riscos por que passavam as mulheres que concebiam ainda adolescentes. Os casos de casamentos contraídos por interesse, ou em tenra infância, somados a outros em que idiossincrasias da mulher ou do marido revelam o mau estado do matrimônio, comprovam que as relações sexuais no sacramento eram breves, desprovidas de calor ou refinamento.

Suas recusas, alegava, eram retribuídas com maus-tratos. Tal como o historiador Edward Shorter percebeu para a Europa do Antigo Regime, os casados desenvolviam, de maneira geral, tarefas específicas. Cada qual tinha um papel a desempenhar perante o outro.

Os maridos deviam mostrar-se dominadores, voluntariosos no exercício da vontade patriarcal, insensíveis e egoístas. As mulheres, por sua vez, apresentavam-se como fiéis, submissas, recolhidas. A obediência da esposa era lei. E o que veremos a seguir. O processo variou em seu ritmo conforme as regiões atingidas, mesmo se considerarmos apenas o continente europeu.

E aqueles que se esperava que seguissem os preceitos da Contra-Reforma com maior fervor, os padres, estavam longe de serem homens acima de qualquer suspeita. Como tantos, eram feitos de carne e osso. Mais carne, até. Seduzida por declarações ardentes e promessas, a moça atrapalhava-se nos depoimentos. Mais, perguntando se ela era sua, meteu na boca um raminho, pedindo-lhe que o puxasse com seus dentes. Mas havia, também, o avesso da história.

E dela que parte a iniciativa da conquista.

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Diferentemente da metrópole, onde, segundo os viajantes estrangeiros, os namorados conversavam em coches e cadeirinhas, noite adentro na praça do Rossio, os lugares do amor na colônia eram bem outros. Entre nós, os encontros tinham lugar em quintais, becos, roças, beiras de rios e adros de igrejas.

Segundo o historiador Ronaldo Vainfas, esta era uma colônia de poucas cidades e casas devassadas. As relações ditas pecaminosas é que chegam ao conhecimento do historiador, visto que vigiadas, perseguidas e, por isso, muito bem documentadas. Nas igrejas, portanto, brotavam romances. E nelas, muitas vezes, se abrigavam os amantes — o que estava longe de ser uma originalidade colonial, havendo registros desses fatos em Portugal e noutros países europeus desde a Idade Média.

Ainda que se faça ocultamente? Um lugar onde, vez por outra, leitor, Deus dava licença ao Diabo No Brasil Colônia, os sentimentos pareciam ligados às sociabilidades tradicionais, aflorando nas experiências concretas e cotidianas.

Abrigo de amantes, a Igreja logrou converter-se, em certas circunstâncias, em um dos raros espaços privados de conversações amorosas e jogos eróticos, os quais envolviam nada menos do que os próprios confessores. A poesia aproxima o amor da carne, olvidando o recato e a norma. Ela, também, nos permite entrever as mulheres dispostas a participar do mundo dos sentidos.

Aos homens proibia-se, por exemplo, deitar pensando em mulher. Desde as carícias que faziam parte dos preparativos do encontro sexual até singelos galanteios. Mensagens e gestos amorosos esgueiravam-se pelas frinchas das janelas ou sobrevoavam o abanar dos leques. E no escurinho, choviam beliscões e pisadelas, gestos de extrema afetividade no código amoroso desse período. A visita regular do noivo a casa da noiva era motivo do temor da Igreja, que receava que os prometidos tivessem relações sexuais.

E isso efetivamente ocorria em todos os grupos sociais, apesar dos traços acentuadamente patrilarcais vigentes no mundo luso-brasileiro. Era só os pais saírem de casa, e redes e esteiras serviam para os embates amorosos. Eles nos revelam os detalhes da intimidade dos casais de enamorados ou noivos como, também, o percurso desses amores efêmeros. Mas vamos, leitor, olhar um desses casos pelo buraco da fechadura da história.

Perguntado mais se tem mais alguma queixa contra o dito Joaquim Pacheco. Disse mais que a ofendida dissera a ela testemunha que o Réu lhe havia prometido casamento, um corte de vestido e um par de brincos, e que se alguma coisa acontecesse o Réu lhe havia de amparar Nada se fazia sem galanteios, presentes, visitas. A presença de rituais amorosos refletia-se, também, nas prédicas da igreja.

Disse isso tudo aos berros, pegando-apelos cabelos, trazendo-a à porta de casa com bofetões à vista dos vizinhos. Embora pintado em Paris e inspirado de paisagens italianas, o quadro de Belmiro de Almeida procura representar os valores de amores campestres, ingênuos e pueris: com o dedo no queixo, a moça parece se perguntar se vale a pena o agrado do mancebo que afaga seu pescoço com um raminho.

A rosa branca, por sua vez, simboliza a pureza, ideal dos mais valorizados desde sempre. Alguns tocamentos podiam ser tímidos, escondendo confessados desejos. Em algumas ocasiões, eram os pés que agiam, ligeiros a alisar outros pés.

Alguns afagos eram apenas esboçados, a anunciar a vontade de outros mais ousados, enquanto se elogiava a formosura da mulher. Conjugava-se muito os verbos estimar e querer bem. A Celestina de Rojas usava favas para facilitar mulheres a homens, bastando nelas gravar o nome das presas cobiçadas, depois de encostado o fetiche nas moças. Tudo com o mesmo fim de conquistar, seduzir e apaixonar.

Poder-se-ia, também, aqui multiplicar os exemplos de rezas com fins eróticos que aludiam às almas, ao leite da Virgem, às estrelas, ao sangue de Cristo, aos santos, anjos e demônios. Para driblar dificuldades, a receita — como vê o leitor — era simples.

Amantes desprezados, enamorados em dificuldades, todos apelam à piedade popular na tentativa de reaver a felicidade amorosa. Outro artifício ensinado pela mesma Nóbrega, envolvia o sêmen do homem amado. Consistia em, consumado o ato sexual, a mulher retirar da própria vagina o sêmen, colocando-o no copo de vinho do parceiro. Seu corpo, ungido pelo mal, tornava-se o território de intenções malignas. Cada pequena parte seria representativa desse conjunto diabólico, noturno e obscuro. Pois amar é também ser cioso, é duvidar e desafiar como vemos em algumas situações do passado.

Nele, segundo o historiador Luciano Figueiredo, a excessiva violência ou o excessivo amor confundiam-se. Na convivência entre homens e mulheres das comunidades mineiras, no século XVIII, por exemplo, ficavam evidentes condutas firmadas em um cotidiano no qual os padrões da Igreja pouco participam. Eram atos em que é possível iniciar a complicada tarefa de estudar sentimentos e atitudes condenadas aos olhos da Igreja. É certo que o Estado interferia em alguns casos de desavenças.

Em , quatro mulheres foram presas na cadeia do Rio de Janeiro por terem assassinado o próprio marido. Tanto podia ser morta pelo marido a plebéia como a nobre. Rasgue logo esta. Senhor de engenho no Recôncavo, Jacinto Tomé de Faria ausentava-se com freqüência da cidade para ir para suas terras.

Acrescente-se a rudeza atribuída aos homens, o tradicional racismo que campeou em toda a parte: estudos comprovam que os gestos mais diretos, a linguagem mais chula era reservada a negras escravas e forras ou mulatas; as brancas se reservavam galanteios e palavras amorosas. Matos louva o corpo e os encantos da mulata que, como a índia do século XVI, vira objeto sexual dos portugueses. Os casamentos e uniões dentro das mesmas etnias — vale lembrar que a consciência étnica era forte — acotovelavam-se com os que reuniam africanos de origem diferente.

Nem sempre era possível casar-se com alguém da mesma procedência, pois os senhores encarregavam-se de misturar, em suas propriedades, escravos de origem diversa. Temiam revoltas. O casamento de cativos também convinha aos senhores: os casais tinham menos motivos de queixas, nessas circunstâncias, promovendo — pelo menos na aparência — a paz nas senzalas.

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No primeiro caso, o acesso aos padres era relativamente garantido, o que facilitava o casamento. O historiador Herbert Gutman, por exemplo, demonstrou que essa era uma regra nas colônias hispânicas. A escolha dos parceiros era, contudo, presidida por um critério seletivo no que concernia à naturalidade. As crioulas desprezam os negros da costa. A entrada de novos homens era sentida como uma ameaça. Apenas um entre cinco casamentos reunia pessoas de etnias diferentes.

Florentino e Góes observaram agudas diferenças de idade entre os cônjuges. Os primeiros podiam casar-se quando quisessem ou pudessem. A cerimônia seria freqüente? Um observador, o viajante suíço J. As pretas em geral possuem filhos de dois ou três homens. Muitas mulheres e muitos filhos, no continente de origem, eram considerados sinal de riqueza, fecundidade e felicidade.

Todos juntos trabalhavam a terra do patriarca da família. A virilidade era atributo fundamental de honra de um homem. Os homens lutavam pela esposa mais fecunda. Tais tradições, profundamente arraigadas, provavelmente se transferiram para a colônia, incentivando um tipo de família diversa daquela que tinham os portugueses ou da que desejava a Igreja.

Alguém a quem se quer bem. Graças ao feitiço ou ebó, colocado em lugar previamente escolhido, chamava-se o nome da pessoa a quem se queria atingir. O sentenciado explicou no interrogatório a que respondeu, que ajudava muito a dita escrava.

Dava-lhe vestidos, saldava suas dívidas e, vez por outra, ainda pagava os jornais que esta devia à sua senhora. Certa tarde, tendo sido levado ao porto, acorrentado, a outro preso, para trabalhar, Miguel pediu ao sentinela para falar com a escrava. Aos 36 anos, foi condenado a remar nas galés para sempre. O sistema era cruel. Ele separava famílias, amigos e amantes, esposa e marido. Multiplicava violências. Os arquivos demonstram, com documentos, que houve casais que contrariavam essa regra.

Para entender esse amor temos de voltar um pouco mais ao tempo. Retornar ao Velho Mundo, à Europa, e com os historiadores buscar os resquícios dos sinais amorosos presentes nos mais diferentes documentos.

Como tudo começou: amor no Velho Mundo O passado amoroso decomposto A herança vem de longa data. No fim do século XI, trovadores introduzem novas relações entre homens e mulheres. Elas com grandes coifas e cintura marcada por vestidos elegantes que desnudam, levemente, colo e ombros. Eles, trajados com curtas capas acinturadas de largas pregas e calças colantes que sublinham a estrutura musculosa do corpo.

O amor puro é aí cantado em versos. Associada aos ideais da cavalaria, a erótica trovadoresca prometia aos que servissem na corte a alegria de serem distinguidos com um amor nobre e desinteressado.

Era o amor cortês e dele deriva a palavra cortesia. Cada um escolhe a esposa de um senhor a quem consagra seus versos.

A dama era posta em um pedestal, enquanto o homem se esforçava por ganhar seus favores. Era preciso merecê-la. Invertem-se os papéis. O homem vê-se menos conquistador do que conquistado.

E a mulher, menos presa do que recompensa. Para manifestar o valor de seu amor e merecer a eleita, o cavaleiro, deitado no mesmo leito que sua dama, separado dela por uma espada ou uma ovelha, símbolo da pureza, observava a estrita castidade. Todos os esforços de conquista terminavam, quando muito, em um casto beijo. Longe de ser mórbida por impor aos amantes a graça de contemplar o corpo nu da dama ou o asag, em que tudo era permitido menos o ato sexual; a ética dos trovadores foi um fenômeno estritamente moralizador e incrivelmente regrado.

Para vivê-la, Isolda deixa seu marido, o rei Marcos, e vai esconder-se na floresta, em estado de castidade. Só que roída pela vergonha e o remorso, vê seu amor afundar em desastre e sofrimento. Era um triste destino, o desses enamorados. A história do casal aparece como o símbolo do amor, ao mesmo tempo perfeito, mas, sobretudo, impossível. Ao tratar do tema, o trovador costumava anunciar a promessa de uma felicidade futura. Ele é impossível. Assim a joi, a alegria do trovador, é um enigma, pois visa ao encontro impossível do amante e da amada.

Alguns historiadores tentaram decifrar como os homens que os antecederam compreendiam esses heróis. Chama-se O amor e o Ocidente. A trama romanesca é precisamente a dificuldade. O desejo de envolvimento total dos amantes só se realiza inteiramente na morte. Na verdade, argumenta Rougemont, o que os amantes desejam é seu próprio desejo. Desde o século viu a Igreja bate-se em favor da monogamia. Sim, pois os reis francos eram polígamos e a poligamia era um meio de exibir riqueza, poder e alianças políticas.

Uns quanto os outros nunca foram totalmente fiéis às exigências da Igreja. Concubinas e amantes, como sabemos, resistiram. Mas a poligamia desapareceu. Mas, onde, afinal, se escondia o amor? No passado, seus objetos e estímulos afetivos seriam diferentes dos nossos, assim como diversas eram as condutas amorosas.

O status do amor no passado — e esta é sua tese — era bem mais complexo do que hoje. Havia quem cantasse o amor platônico e quem cantasse, o carnal: coisas diferentes e separadas. A Igreja, por seu lado, condenava todo amor profano, considerando-o uma antítese do amor sagrado. Era perverter a obra divina, servir-se dela por outras razões. É coisa muito recente a Igreja Católica exaltar o amor conjugal. Mas isso, leitor, é hoje. Pois, no passado, o casamento estava longe de ser o lugar de encontro amoroso entre homens e mulheres.

Criou-se uma dicotomia. Ou seja, lentamente construía-se um tipo de amor no casamento e, outro, fora. Muito amor, no entender de Jerônimo, Confessor e doutor da Igreja, era justamente o amor sem reservas nem limites. E muito amor era ruim.

O tom de Jerônimo, como vê o leitor, é o de um mandamento. Nos textos do apóstolo Paulo, o amor fora do casamento, a fornicatio, a immunditia é implacavelmente condenada.

A esse compromisso chamavam debitum, ou débito conjugal, espécie de moeda a ser paga em relações sexuais entre marido e mulher. Desse ponto de vista, Deus é amor. E possuir, igualmente, o dom da confiança, da solicitude, da decência, da verdade. Ele o trata, de passagem, a propósito da mulher. Por outro lado, esperava-se que o amor se desenvolvesse depois do casamento, ao longo de uma vida comum.

Suas características seriam feitas de valores hostis ao casamento. Valores esses que fragilizavam a fidelidade conjugal. Sim, porque o amor cortês proibia terminantemente que se fizesse amor sem amor.

Pelo menos assim é que ele aparece na literatura, mesmo que, muitas vezes, exagerado ou descomedido. Mas vejamos como isso ocorre. Até mesmo a vida privada. O afeto vivido nas letras E graças à imprensa que o amor escrito invade as casas. Ele é o reencontro de duas antigas e caras metades. O lugar do amor ficava sendo, portanto, a literatura.

Amores insubmissos aos ditames da lei, dos costumes e do casamento eram vistos como promessa de sofrimento. E o de fora, levando, invariavelmente, a dolorosas dificuldades. A maior parte dos autores dos Tempos Modernos, dos poetas de corte aos moralistas populares, todos bordaram, com preciosismo ou realismo, variações sobre esses pontos. Até fundindo-os. Ele figura ao lado da busca pelo prazer, característica de seu tempo. Mas a maioria dos escritores fica com Cervantes que, em suas Novelas exemplares, de , prefere celebrar os amores honestos e pudicos, mesmo os de uma pequena cigana ou de uma servente de albergue, às paixões sem freios.

O início do Renascimento expõe, sem disfarces, as virtudes do sexo assim como o charme de seus preparativos. E o faz sem cerimônias. O Renascimento italiano, por sua vez, inaugurou o culto alegre e realista da licença amorosa. Enquanto a Vênus de Botticelli despia-se na tela, nos quartos, os corpos se cobriam. Sermões tenebrosos sobre o Juízo Final conviviam com uma literatura erótica cuja especialidade era o gênero pastoral, caro às cortes que se deliciavam em ouvir ou ler sobre amores de pastores e pastoras.

Eles convidavam os espectadores e leitores a gozar o melhor de sua juventude, a viver plenamente, a beber, a comer, a folgar. Entre céu e inferno, a aproveitar cada dia, antes que a morte os levasse. Mulheres jovens de elite eram vendidas, como qualquer animal, nos mercados matrimoniais. Excluía-se o amor dessas transações. Proíbiam-se as relações sexuais antes do casamento. Instituíram-se camisolas de dormir para ambos os sexos.

O ascetismo tornava-se o valor supremo. Idolatrava-se a pureza feminina na figura da Virgem Maria. Retomam-se os princípios tristes de Santo Agostinho. O desejo: posse, narcisismo, egoísmo. O ato requeria apenas privacidade. Denunciam quando a sensibilidade diante do desejo do outro estava exaurida ou se nunca existira. Um tratamento distante, convenhamos, mas como lembra o pesquisador, mesmo sem intimidade, as relações conjugais eram polidas.

No início do século XVI, faltava prestígio ao matrimônio. Ele era suspeito. Ele era, portanto, aos olhos da Igreja, uma obra da carne. E os olhos da Igreja eram os olhos de todo o mundo.

Para ela, a essência do indivíduo residia na alma. De preferência sem filhos, nem encargos. Mas nessa esfera estreita é que as emoções, os sentimentos e as sensações se manifestavam.

Emoções, todavia, repudiadas no momento de fazer uma família. Outra corrente de letras européias, contudo, celebrou a sexualidade com bem menos recato. Domínio que promovia a derrota da vida e o desaparecimento do amor erotizado. Fora da realidade preciosa, mas rara, do amor conjugal, todos os outros germes de felicidade sexual, presentes na antiga sociedade, tendiam a ser desvalorizados.

O romance, gênero recém-criado, se via, igualmente, tomado por temas amorosos. Para encerrar essa pequena síntese sobre o amor no Ocidente moderno, vale a pena, leitor, reter algumas teses. Uma vasta corrente da literatura moralista que vai do século XV ao XIX identifica o amor a causas funestas separando, radicalmente, o amor no cotidiano daquele cantado em prosa e verso. Contudo, como demonstram os demógrafos, o sexo ilícito crescia no fim do século XVIII ao mesmo tempo que o casamento se tornava universal.

Enigma, pois se encontram milhares de construções jurídicas e teológicas sobre o sacramento. Mas vantagens se ela fosse despossuída de paixões. Eles impõem o casamento. Proclamam-no indelével. Exigem que os cônjuges sejam bons, doces, polidos e, sobretudo, saibam controlar seus instintos. O cristianismo fez do matrimônio um sacramento. Da Europa, agora nos deteremos um pouco em Portugal, uma das matrizes de nossa cultura.

Na França, a diferença do ambiente cultural pode ser medida pela natureza das publicações exaltadoras da sexualidade e de uma erótica praticamente inexistente em Portugal. O atraso do sistema português de ensino, das primeiras letras à universidade, era uma evidência para todos aqueles que saíam do país. Na segunda metade do século, ensaiam-se algumas modificações, sem muito sucesso. Isso significa que a aliança entre Medicina e Igreja, na tentativa de manter o amor como algo perigoso e inconveniente, tende a prevalecer, como veremos mais adiante.

Portugal tem sobre o amor uma história fundadora: aquela de D. Pedro e Inês de Castro. A Inês de Castro histórica era filha de um fidalgo galego, D. Pedro Fernandes de Castro. Foi uma das damas que acompanharam D. Constança quando esta veio de Castela para Portugal para casar, em , com D. Pedro, futuro D. Pedro I, filho de D. Afonso IV. Pois esse D. Pedro apaixonou-se por D.

O amor de D. Pedro e D. Temia-se que D. Fernando — filho de D. Pedro e de D. Constança — fosse afastado do trono, tornando-se herdeiros da coroa os filhos de D. Por esse motivo, D. Afonso IV, pressionado pelos seus conselheiros, mandou, em , executar Inês.

Um aspecto recorrente é a universalidade do tema amor puro, amor que sobrevive à morte, no caso de D. Essa faceta tem garantido à figura de D. Mais do que uma personagem, Inês, e com ela D. Pedro, é o símbolo do amor inocente e feliz. O tema? Ela é elevada. Ela acende no parceiro o desejo do que lhe é superior. O homem, por sua vez, reconhece o lado sublime da mulher, renunciando, por isso, ao prêmio material — seu corpo. O amor serve, assim, para aperfeiçoar moralmente a personalidade do amante.

Em uma cantiga amorosa de D. Vosso amor me leva a tanto! Ó formosa, que farei? Uma parte dessas cantigas inspira-se na vida popular rural. Tem como personagem principal a jovem que vai à fonte lavar a roupa, ou a que vai pentear os cabelos no rio, onde encontra o namorado. Ou aquela outra que na romaria espera o amigo ou oferece aos santos promessas pelo seu regresso.

Os romances contam desde a alvorada do primeiro encontro até o casamento. O maior e mais conhecido personagem era Amadis de Gaula, herói da novela de cavalaria homônima. E feita Dona a mais formosa donzela do mundo. A virtude é premiada no happy end com que se encerra a obra. Cada motivo de sofrimento é logo ultrapassado por outro, pior.

O tom é o de confidência. Da mesma forma como Beatriz conduz Dante pelas alturas do paraíso, ele busca impregnar seus personagens femininos de uma luz sobrenatural que lhe transfigura as feições. Ela tem o dom de apaziguar os ventos, sua presença faz nascer flores. No retrato da amada, Camões persegue Laura de Dante. Em Lisboa, as cadeirinhas, ornadas de esculturas, estacionavam nas praças a fim de deixar conversar, por entre as cortinas, os enamorados.

E, assim, ele registra o conflito entre o desejo carnal e o ideal do amor desinteressado. No universo popular também se encontram instantâneos de suas manifestações. Nelas, desfilam esposas fiéis, como D.

Catarina; mulheres cativas, como Brancaflor e Melisandra, e heroínas perseguidas, como Silvana e Iria ou a imperatriz Porcina. Educadores, leigos ou religiosos, passam o tempo a inculcar a idéia de que o mundo é um lugar de tentações. Nessa ordem de idéias, lembra-se a inconveniência de uma infância desregrada na futura mulher.

Os trabalhos domésticos, afastando-a das tentações amorosas, era o que convinha ao seu sexo. Uma recebendo mais rapidamente os modismos amorosos importados do exterior do que a outra. Reis alocavam agentes em Paris, encarregados da compra de livros.

Inês de Castro e D. O amor passa a ser perseguido, também, por uma antiga ciência: a medicina. Tudo começa com a crença, corrente na Idade Moderna, de que o comportamento dos indivíduos é determinado pela qualidade e pela quantidade do calor de seu corpo.

Dela provinham os piores crimes, os mais violentos envolvimentos afetivos e os mais desumanos dos atos. Todos os excessos, portanto, deviam ser evitados, contornados, amestrados. Sem o controle de suas paixões, homens e mulheres estariam perdidos. E, pois, o sentimento fora de controle, resultando em erotismo desenfreado, que consolida a idéia do amor como enfermidade. Seus autores interessam-se tanto pelas definições filosóficas do amor quanto pelas técnicas, pelos diagnósticos e pelos tratamentos envolvidos em sua cura.

E mais Esse mal ataca inicialmente pelos olhos, flui pelas veias como um veneno, dirige-se ao fígado que inflama de forma a transmitir um calor aos rins e ao lombo que se tornam sedes importantes dos sintomas eróticos, chegando finalmente ao cérebro que é escravizado.

Entre as causas do amor erótico estariam as externas, como o ar e os alimentos, e as internas, o repouso, a vigília e o sono. Incapazes de conter nutrientes, os membros enfraqueciam-se, minguando ou secando. No século do iluminismo, segue em Portugal a idéia do amor doença. Além dos sentidos abertos para os riscos do mundo é dela que vem as tentações interiores, muito mais insidiosas e perigosas de se domar.

A aliança do conservadorismo contra-reformista com a medicina das cortes ibéricas produziu um moralismo católico que tornava o sexo fonte de torpeza. E como combater tal problema? Comer muito era sinal de perigo. Entre a juventude, ela ceifava vidas sem dó nem piedade. Ela sofria cansaços espontâneos, gemia e suspirava; nada a distraía, nada a ocupava, tudo lhe aborrecia. Evitava seus pais, suas amigas; veio a febre, depois o marasmo, por fim a morte.

Ela levou consigo seu segredo para a sepultura; a pobre moça amava!

E pior. O amor provoca a nostalgia ou a saudade, que é outra doença. Mas a maior enfermidade é a erotomania ou loucura amorosa. Os tumores, de amor desregrado ou desgosto prolongado. E daí por diante. Alguns remédios menos complicados eram sugeridos por padres. Ó juízo! O inferno! O paraíso! A dieta do amor Se a Igreja e a medicina faziam de tudo para abrandar as formas de amar, as viagens ultramarinhas dos séculos XV e XVI tiveram o efeito de lenha na fogueira do sentimento.

O convívio pioneiro com as culturas de além-mar apimentou a Europa e, em particular, Portugal, com sabores, odores e sensualidades novos. Uma forma de escapismo às normas da Igreja? Especiarias estimulantes, reconfortantes, tonificantes e revigorantes ampliam a gama erótica dos prazeres — lógico, prazeres proibidos — da carne.

Portugal é aporta de entrada desses produtos. Produtos que alimentam a sede de estímulos sensoriais nas cortes da França e das ricas cidades italianas. De origem hebraica e amigo de Camões, ele se dedica ao estudo da farmacopéia oriental. A descoberta de novas faunas e floras o permite saudar, com entusiasmo, os afrodisíacos largamente utilizados nessa parte do mundo.

Nem todas as especiarias conhecidas eram consideradas afrodisíacas. Os produtos exóticos descobertos nas novas terras abordadas pelos europeus incluíam os animais africanos.

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O uso analógico de certas plantas ou animais, em que se busca obter suas mesmas virtudes e propriedades, era comum. Animais fiéis ao parceiro, ingeridos, induziam à fidelidade. O primeiro observador encarregado de fazer um relatório de história natural do Brasil, o holandês Guilherme Piso, registrou também algumas plantas afrodisíacas. Em , um desses livros menciona 19 substâncias, muitas delas extraídas do reino animal: genital de galo, cérebro de leopardo, formigas voadoras.

Entre as substâncias vegetais encontram-se a jaca, as orquídeas e os pinhões. O médico de D. Os portugueses estiveram cara a cara com uma ars erótica que usava e abusava de afrodisíacos. Dela, contudo, só levaram para Portugal a possibilidade de ver em tudo, pecado ou doença! Virtude, diga-se, que deveria ser regada a café, bebida elogiada justamente por sua capacidade anafrodisíaca. É o novo espírito burguês, casto, econômico e produtivista. Dois amores?

Desta primeira parte, leitor, vale a pena reter algumas constatações. O amor cantado em prosa e verso, vindo de Portugal com os primeiros colonizadores, ficava muito distante do dia-a-dia.

Só fisicamente. E, de preferência, fora do casamento. Matrimônios, por seu turno, só os bem pensados em termos de bens. Casamento bom era casamento racional. Selducere: sair da estrada, da trilha, tomar um caminho paralelo ou perder-se.

Um ideal de casamento se impõe, em ritmos diferentes, para os diversos grupos da sociedade. Por meio desse ideal, importado da Europa via literatura, o erotismo extraconjugal deveria entrar no casamento afugentando a reserva tradicional. A sociedade começava, daí em diante, a aproximar as duas formas de amor tradicionalmente opostas.

Sublimado, anulado e substituído, de preferência, pelo amor a Deus. Ou, melhor ainda, pelos negócios. Sóror Mariana Alcoforado nasceu e faleceu em Beja. Foi-lhe atribuída a autoria das Lettres portugaises, publicadas em Paris, em , por Claude Barbin. Ah, infeliz! Foste enganado, e me traíste, por lisonjeiras esperanças mentirosas. Ai de mim! Dediquei-te minha vida apenas te vi, e sinto algum gosto em fazer-te dela sacrifício. Este é um exemplo de um dos muitos textos impressos ou manuscritos que circulavam nos séculos XVII e XVIII entre a colônia e a metrópole portuguesa, insistindo na diferença entre o bom e o mau amor.

Os amantes usam nomes falsos para encobrir sua identidade. Carta de Fernando Prodigioso para D. Conheço que vós sois filha de um ilustre general, eu, senhor do país.

Juro ser vosso até morrer. O Amor iguala a todos e costuma rir-se da vaidade e capricho dos mundanos. Publicou dezenas de obras durante a vida. Publicada em Lisboa, em , é uma das suas obras maiores, onde tece considerações sobre a vida conjugal e familiar. Foi escrita para um amigo, às portas do matrimônio. A mulher é descrita nesta obra como o elemento que se deve submeter à autoridade do marido. Ao homem, cabe ser sério, fugir dos vícios e dedicar- se ao lar e à esposa.

Pouco mais remédio sói ter estas tais condições, que uma grande prudência, com que se atalhem. Aconselharia aquele, a quem tal suceda, se apartasse o possível de viver nas cortes, e grandes lugares; quem grita no despovoado, he menos ouvido. Se as sortes se mudassem, da mesma maneira quisera o marido ser tratado e sofrido da mulher. Francisco Manoel de. Carta de Guia de casados para que pelo caminho da prudencia se acerte com a casa do descanso.

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O amigo pretende para o que sempre ama e o amante para que o que pode deixar de amar. Um cuida de si, outro descuida-se de si. A galanteria achou um lugar mais alto entre estas duas coisas — amor e amizade. Francisco de Almeida. A arte da galanteria. A época? Primeira metade do século XIX. Sim, leitor, a história é do escritor José de Alencar. O romance? Nele, a heroína pobre, enriquece e vinga-se comprando o marido que a descartara por um casamento melhor.

Melhor significava, nessa época, uma noiva mais rica, cheia de patacas, opulenta. O que contava era o dote! Nunca talhado no céu, conforme o ditado. As esposas eram escolhidas na mesma paróquia, família ou vizinhança. Namoro: pouco ou nenhum. O olhar, por exemplo, era importantíssimo. Exclusivamente masculino, ele escolhia, identificava e definia a presa. A mulher podia, quando muito, cruzar seu olhar, com o do homem.

Olhar, portanto, era coisa de macho. O mais ambicionado objeto de prazer? Pequenos, eram o signo de beleza mais apreciado. O lugar mais sensual do desejo. A tristeza? Ela fazia o sangue correr mais espesso e lento, acentuando a palidez do rosto. A alegria? Mas vamos entender, primeiro, o contexto econômico, político e social para entender, depois, o que teria mudado nos comportamentos amorosos.

A capital, por exemplo, era cortada por ruas estreitíssimas e sujas. Foi nesse Rio de Janeiro que desembarcaram, a 8 de março de , o futuro monarca e a família real.

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Gente que fazia parte da burocracia de Estado. Além de fidalgos, vieram colonos e administradores de outras partes do Império português e também refugiados, saídos de países sul-americanos tomados por revoluções republicanas.

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Mercadores e comerciantes vindos de Minas Gerais e de outras partes do país instalavam-se na corte em busca de espaço para suas mercadorias. O comércio continental, graças ao ouro, fizera medrar fazendas, roças, vendas e vilas no interior, azeitando idas e vindas entre o litoral e o planalto.

Mesmo na corte, as mudanças eram mais de forma do que de fundo. Pachorrentas seriam as notícias publicadas pela imprensa oficial da época. Enquanto isso, a Europa do início de transformara-se em terreno das guerras napoleônicas. A de Julie. O candidato: um senhor entrado em anos.

Mais importante eram os compromissos sociais. E a bela Julie nunca seria feliz fazendo seu pai infeliz. O lugar de seu adorado professor fica sendo a memória, a lembrança. Se essa história comoveu meia Europa é porque naqueles tempos muitas pessoas se viam confrontadas com o mesmo dilema. O homem nascera para mandar, conquistar, realizar.

O despotismo, antes privilégio de monarcas, passa a ser do marido, dentro de casa. A jovem casadoira, um anjo de pureza e virgindade. O amor, uma experiência mística. Liam-se muitos livros sobre sofrimento redentor, sobre estar perdidamente apaixonado, sobre corações sangrando. Enrubescer era obrigatório para demonstrar o desejado nível de pudor, pudor que elevava as mulheres à categoria de deusas, santas, anjos. E pesadas senhoras, cercadas de filhos, um pouco depois. As varandas nos fundos das casas serviam para abrigar a família, isolando-a dos rumores da rua, separando moças e rapazes.

Recepções a estrangeiros ou desconhecidos eram raríssimas. Nessa festa, os limões-de-cheiro tinham espaço garantido. Fora disso, o evento social mais importante continuava a ser a missa dominical. Ela era o melhor lugar para o namoro. Nela, conversava-se com as jovens na frente de seus pais e os olhares trocados estabeleciam verdadeiros códigos secretos.

Se a dama resolvesse dar ouvidos ao suspiro enamorado, acabada a missa ela mandava uma mensagem por meio de sua escrava, determinando data e lugar para um encontro. E os riscos? A baronesa de Langsdorff, em , acrescentava ter hesitado em achar que estava em uma igreja de tanto que homens e mulheres falavam entre si.

As moças iam atraentes em suas toilettes, cada qual fazendo o possível para impressionar. Tiago Chagas - novembro 11, 0. Janna Vanessa - junho 27, 0. Todos nós estamos sujeitos a tropeçar ou cair. Janna Vanessa - março 10, 0.

Ficamos preocupados Janna Vanessa - janeiro 17, 0. Janna Vanessa - dezembro 2, 0. Janna Vanessa - novembro 17, 0. Rodolfo fala sobre tatuagens, devemos nos preocupar com o que Deus quer que a gente faça e seguir sua vontade.

Confira e entenda mais Janna Vanessa - novembro 8, 0. Janna Vanessa - novembro 3, 0. Janna Vanessa - setembro 27, 0. Janna Vanessa - setembro 22, 0. Palavra forte e tremenda de Rodolfo Abrantes, ministrada na Conferência Origem.

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Mateus Stacke - janeiro 15, 0. Denise Cortazio - agosto 15, 0. Denise Cortazio - agosto 14, 0. Denise Cortazio - agosto 8, 0. Vídeos gospel evangélicos mais vistos. Tiago Chagas - junho 17, 0.